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Namoro Cristão

  • 25 de mar. de 2016
  • 33 min de leitura

Introdução

Ler um livro é muito parecido com um namoro. Obvia­mente, a analogia não é perfeita (você nunca levaria um livro para um cineminha), mas quando você lê um livro, muito tempo é gasto sozinho. Você o segura, olha bem na cara dele e dá a sua atenção concentrada. Como em um namoro, ler um livro pode levá-lo à vales e picos de experiência emocional - ele pode fazê-lo rir ou até deixá-lo com raiva.

Espero que você não seja do tipo que “ama e abando­na”, que lê um livro até o terceiro capítulo e depois o larga. Se este for o seu caso, provavelmente você não aproveitará muito deste livro. Assim como em um relacionamento sério, ler este livro requer um certo nível de compromisso - um compro­misso de pensar seriamente e lutar com idéias que irão desafiá-lo a mudar a sua visão atual sobre namoro.

Muitas pessoas sábias dizem que a honestidade é a me­lhor política em qualquer relacionamento. Então antes que você “assuma um compromisso” com este livro, você deve entender uma coisa. Este livro não é como outros sobre namoro. A maioria destes livros explicam como consertar um namoro para que funcione com você. Este livro explica como “terminar” com o namoro para que a sua vida funcione para Deus. Adeus ao Namoro fala das razões e maneiras de deixar para trás o modo de namorar do mundo.

Ainda quer sair para um passeio?

O QUE EU NÃO VOU DIZER

Talvez você esteja se sentindo um pouco nervoso. Dar adeus ao namoro? Por que alguém escolheria não namorar? Como alguém vai se casar se não namorar? E as amizades? Cara, caia na real !

Eu entendo a sua hesitação e iremos discutir tudo isso mais adiante no livro. Mas antes de prosseguir, quero declarar claramente o que eu não vou dizer sobre namoro. Não quero que você gaste tempo se preocupando com o que eu estaria insinuando. Se você fizer isso, estará perdendo os pontos e prin­cípios positivos que desejo apresentar.

Sei que isso pode ocorrer, pois eu mesmo já agi assim. Quan­do tinha dezesseis anos de idade e estava no meio de um relaciona­mento que durou dois anos, minha mãe me deu um exemplar do livro Passion&Purity (Paixão & Pureza) de Elisabeth Elliot. Imedia­tamente fiquei desconfiado. Por que? Em primeiro lugar, por ter sido a minha mãe que me deu o livro. Me dar um livro é o modo, não tão sutil, da minha mãe de me dizer que estou com um proble­ma. Além disso, fiquei preocupado com as implicações do subtítu­lo, que dizia: “Colocando a sua vida romântica sob a autoridade de Deus.” Tinha certeza que o livro diria que eu não podia beijar a minha namorada (algo que considerava muito vital para a manu­tenção da minha felicidade naquela época). Então o que eu fiz? Eu decidi, antes mesmo de abrir o livro, que eu discordaria de tudo que o livro tinha a dizer. Como a minha mãe dizia, eu li toda a “paixão” e saltei toda a “pureza.” Que erro eu fui cometer!

Há pouco tempo atrás eu li Passion & Puríty novamente e compreendi que, se eu estivesse com a mente mais aberta na­quela época, poderia ter tirado grande proveito da sua mensa­gem em meio aos meus relacionamentos de namoro no colé­gio. Por que ela parecia tão irrelevante? Por que não aprendi nada naquele momento? Porque eu tinha decidido, desde o começo, que eu não prestaria atenção nela.

Espero que você não cometa o mesmo erro com este li­vro. Se puder manter-se aberto à mensagem deste livro, pode ser exatamente isso o que você precisa ouvir neste momento. Para ajudá-lo a sair da defensiva, farei declarações que afasta­rão dois dos temores mais comuns nas pessoas quando eu falo sobre dizer adeus ao namoro típico.

1. Eu não acredito que namorar seja pecado. Algumas pessoas têm pecado em conseqüência de um namoro, mas não acho que se possa dizer que namorar seja uma atividade pecaminosa. Vejo o namoro com a mesma perspectiva de uma lanchonete fast-food - não é errado comer ali, mas há opções muito melhores. Como veremos mais adi­ante, Deus deseja que busquemos o melhor em tudo, incluindo os nossos relacionamentos românticos. Como cristãos, somos frequen­temente culpados de seguirmos o modelo de relacionamento do mun­do e perdermos o melhor de Deus.

2. Rejeitar o modo típico de namoro não significa que você nunca irá gastar tempo sozinho com um garoto ou garota. Há uma diferença entre o ato de sair com alguém e o namoro como um modo de pensar e abordar relacionamentos românticos. Se namoro fosse simplesmente um garoto e uma garota saindo para tomar um refrigerante, não precisaríamos gastar todo um livro para falar sobre o assunto, não é mesmo? Mas namorar é mais do que isso. É um estilo de vida que envolve as nossas atitudes e valores. E eu quero encorajá-los a reexaminarem estes padrões de pensamen­to e modo de agir.

Eu não direi que nunca se deve gastar tempo sozinho com alguém. No tempo adequado em um relacionamento, se as motivações forem claras e as circunstâncias evitarem as tenta­ções, sair com alguém pode ser saudável.

NA VERDADE, O NAMORO NÃO É O PONTO CRUCIAL

Após explicar o que eu não direi neste livro, deixe-me apre­sentar o que vou dizer. Em resumo, o namoro não é o ponto crucial.

Mas, você perguntará, este livro não é sobre namoro? Compreendo a pergunta. Afinal de contas (estendendo a ana­logia entre ler um livro e namorar), este livro pode ter atraído você por inúmeras razões - listarei quatro:

l. Você acabou de sair de um relacionamento ruim, e você não quer se machucar novamente. Não namorar parece ser uma boa idéia.

2. Você não se sente confortável com a idéia de namoro, e está procurando por outras opções:

Não existe a palavra “alternativas” - alternativa é so­mente uma única, segundo o Aurélio.

3. Você está em um relacionamento que caminha na direção errada. Você está buscando uma maneira de manter este relacionamento dentro dos limites de Deus.

4. Você tem um namoro excelente e está curioso por que alguém escolheria não namorar.

Será que pessoas com perspectivas tão diferentes poderiam se beneficiar da leitura do mesmo livro? Eu acredito que sim. Por que? Apesar de terem experiências diferentes com o namoro, eles têm o mesmo Criador. E a vontade e o plano de Deus para a nossa vida são o foco real deste livro. O nosso maior objetivo não é definir se cristãos devem ou não namorar, e em caso afir­mativo, como deveria ser este namoro. Ao invés disso, à medida em que for lendo, espero que você observe os aspectos de sua vida afetados pelo namoro - o modo como você trata os outros, como você se prepara para o futuro parceiro, a sua pureza pesso­al - e se esforce para colocar estas áreas alinhadas com a Palavra de Deus.

Mesmo que, de certa forma, este livro seja sobre namo­ro, na verdade namoro não é o ponto crucial. O ponto mais importante é o que Deus deseja. Discutir se deve ou como se deve namorar não é um fim em si mesmo. Falar sobre isso apenas tem sentido quando vemos a relação do namoro com o plano maior de Deus para a nossa vida.

Você pode concordar ou não com algumas das coisas que escrevi. Mas se continuar acompanhando a minha exposição e se ao menos tiver maior discernimento espiritual ao final da leitura do livro, terei alcançado os objetivos da minha missão, e a sua vida terá sido edificada. Espero que as idéias comparti­lhadas aqui o levem para um pouco mais perto da vontade de Deus para a sua vida.

Parte Um - Eu Disse Adeus ao Namoro

Capítulo 1 - Amor inteligente

ALÉM DAQUILO QUE PARECE SER BOM, DE VOLTA AO QUE REALMENTE É.

Finalmente chegou - o dia do casamento da Anna, o dia que ela tinha sonhado e planejado por me­ses. A capela pequena e pitoresca estava repleta de amigos e familiares. Raios de sol penetravam pelos vitrais colo­ridos das janelas, e a música suave de um quarteto de cordas enchia o ambiente. Anna caminhava pela passarela em direção ao David. A alegria tomou conta. Este era o momento que ela tinha aguardado tanto. Ele segurou a sua mão carinhosamen­te, e se viraram para o altar.

Mas no momento em que o celebrante começou a condu­zir Anna e David nos votos matrimoniais, aconteceu o impensável. Uma garota se levantou no meio da congregação, caminhou em silêncio para o altar e tomou a outra mão do David. Uma outra garota se aproximou e ficou ao lado da pri­meira, e depois outra também fez o mesmo. Logo, uma corrente de seis garotas estavam ao seu lado enquanto ele fazia o voto para Anna.

Anna sentiu um tremor nos lábios enquanto as lágrimas enchiam os olhos.

Isso é algum tipo de piada? - ela sussurrou ao David.

Me... me perdoe, Anna. - ele disse, olhando para o chão.

Quem são estas meninas, David? O que está acontecen­do? - ela perdeu o fôlego.

- São garotas do meu passado. Ele respondeu com tris­teza. - Anna, elas não significam nada para mim hoje... mas eu dei uma parte do meu coração para cada uma delas.

- Pensei que o seu coração fosse meu. Disse ela.

E é mesmo, é mesmo. Ele implorou. - Tudo o que sobrou é seu.

Uma lágrima correu pela face de Anna. Então ela acordou.

Traição

Anna me contou o seu sonho em uma carta. “Quando acor­dei me senti tão traída”, ela escreveu. “Mas logo fui atingida por um pensamento deprimente: Quantos homens se alinhariam ao meu lado no dia do meu casamento? Quantas vezes dei o meu coração em relacionamentos de curta duração? Será que vai so­brar alguma coisa para dar ao meu marido?”

Frequentemente penso no sonho da Anna. Esta imagem desagradável me persegue. Existem garotas no meu passado, tam­bém. E se elas resolvessem aparecer no dia do meu casamento? O que elas diriam na fila dos cumprimentos?

- Oi, Joshua. Você fez umas promessas muito bonitas lá no altar. Espero que você cumpra melhor as promessas hoje do que quando eu te conheci.

- Nossa, como você está elegante neste fraque. E que noi­va bonita. Você já contou a ela sobre mim? Você já disse para ela todas aquelas coisas lindas que sussurrava no meu ouvido?

Têm alguns relacionamentos que só me trazem desgosto quando penso neles. Eu me esforço para esquecê-los. Eu tento diminuí-los como se fossem apenas parte do jogo do amor que todo mundo joga. Sei que Deus me perdoou, pois já pedi a Ele. Sei que as várias garotas me perdoaram, pois também pedi a elas.

Mas ainda sinto a dor de ter dado o meu coração para mais garotas do que devia no meu passado.

É assim mesmo

Ao crescer, considerei que namorar era uma parte essen­cial da experiência da adolescência. Se eu não estava namoran­do uma menina, eu estava apaixonado por uma.

Isso começou nos últimos anos do ensino fundamental quando eu e os meus colegas considerávamos o namoro como um jogo, uma oportunidade de se divertir no amor e experimen­tar relacionamentos. Ter uma namorada não queria dizer muito mais do que estar saindo juntos. Nada demais. Eu e meus cole­gas namorávamos com as garotas e terminávamos com uma ve­locidade impressionante. A única preocupação era que a garota terminasse o relacionamento - nenhum dos garotos queria isso, era a gente que devia ter o privilégio. Uma garota que conheci tinha a rotina mais rápida de término de namoro. Quando ela estava pronta, ela simplesmente dizia: “Garoto, você sobrou”!

Mas logo, apenas dizer que você estava saindo com alguém não era suficiente. Ao invés disso, começamos a experi­mentar o lado físico do relacionamento. Sair com alguém pas­sou a significar que havia alguma intimidade física, também. Eu me lembro de estar ao lado de uma garota que eu gostava, quando ela ligou para o seu namorado e terminou com ele pelo telefone. Assim que desligou, ela me beijou. Isso representava que agora éramos um casal “comprometido”. Ao olhar para trás, fico chateado de ver como éramos imaturos. A intimidade do namoro nesta idade não tinha nada a ver com amor ou afei­ção verdadeira. Era apenas imitação do que os garotos mais velhos faziam e o que a gente via nos filmes. Parecia coisa de adulto, mas na verdade era lascívia.

Felizmente esta fase não durou para sempre. No ensino médio, levei a sério a minha vida com Deus e me tornei ativamente envolvido no grupo de jovens e adolescentes da igreja. Colo­quei um adesivo que dizia: “Vale a pena esperar por mim” na minha Bíblia NVI para Estudantes, e prometi me manter virgem até o casamento. Lamentavelmente, o grupo de adolescentes e jo­vens fizeram pouco para aprimorar as minhas noções imaturas sobre relacionamentos. Até na igreja o jogo do namoro era jogado com paixão - mais paixão, tenho que admitir, que dedicávamos à adoração ou à ouvir as pregações. Durante os cultos de domingo de manhã trocava-se bilhetes sobre quem gostava de quem, quem estava saindo com quem e quem tinha terminado com quem.

As reuniões dos jovens na quarta-feira à noite servia para podermos jogar o nosso próprio “Namoro na TV,” um jogo que terminava com corações quebrados espalhados pelo salão da igre­ja.

No 2º ano do ensino médio, meu envolvimento no jogo do namoro passou a ser mais sério. Naquele verão eu conheci a Kelly. Ela era linda, loira e uns cinco centímetros mais alta que eu. Isso não me incomodava. Todos sabiam quem era a Kelly, e todos os garotos gostavam dela. Como eu era o único do grupo de jovens que tinha coragem de conversar com ela, ela ficou gostando de mim. Eu pedi para namorar com ela no retiro de esqui aquático do grupo de jovens.

Kelly foi a minha primeira namorada de verdade. Todos no grupo nos consideravam como um casal. Nós comemorá­vamos o nosso “aniversário” todo mês. E Kelly me conhecia mais do que qualquer outra pessoa. Depois que meus pais iam dormir, eu e a Kelly gastávamos horas no telefone, muitas ve­zes até tarde da noite, conversando sobre tudo e nada ao mes­mo tempo. Pensávamos que Deus tinha feito um para o outro. Falávamos sobre nos casarmos algum dia. Prometi que eu a amaria para sempre.

Mas, como na maioria dos relacionamentos da época de colégio, o nosso romance foi prematuro - intenso demais, cedo demais. Começamos a ter lutas na área física do nosso relacio­namento. Sabíamos que não poderíamos estar tão próximos fisi­camente quanto estávamos emocionalmente. Como resultado, experimentamos uma tensão contínua, e ficamos desgastados. Com o passar do tempo, as coisas ficaram “azedas.”

- Nós temos que terminar o nosso namoro. - disse a ela uma noite após o cinema. Nós dois sabíamos que isso estava para acontecer.

- Será que teremos alguma chance no futuro? - ela perguntou.

- Não. Disse eu tentando apresentar um tom decidido na minha voz. - Não, está acabado.

Nós terminamos dois anos depois que nos conhecemos. Não foi um “para sempre” como eu tinha prometido.

Algo melhor

Eu tinha dezessete anos de idade quando meu relaciona­mento com a Kelly terminou. Meus sonhos de romance acaba­ram em amargura, remorso e no abrir mão de valores pessoais. Eu saí do namoro me perguntando: Será que tem que ser assim? Me senti desanimado, confuso e desesperado por uma alternativa para o ciclo de relacionamentos de curto prazo em que me encontrava.

- Deus!- Eu clamei - Eu quero o melhor para a minha vida! Me dê algo melhor do que isso.

Deus respondeu àquele pedido, mas não da maneira que eu esperava. Pensava que ele me daria a namorada ideal ou removeria totalmente o desejo por um romance. Ao invés dis­so, Ele revelou através da Sua Palavra o que significava submeter minha vida amorosa à Sua Vontade - algo que nunca havia feito de verdade. Queria o melhor de Deus mas não estava disposto a jogar conforme às Suas regras.

No decorrer destes últimos quatro anos, compreendi que o senhorio de Deus não apenas ajeita a minha abordagem de romance - ele a transforma completamente. Deus não apenas deseja que as minhas ações sejam diferentes, mas que eu pense diferente - que eu veja da Sua perspectiva o amor, a pureza e o estar solteiro e tenha novos modos de vida e atitudes.

A base desta nova atitude é o que chamo de “amor inteligente.” Paulo descreve este tipo de amor em Filipenses 1:9-10:

Esta é minha oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e Irrepreensíveis até o dia de Cristo.

O amor inteligente cresce e se aprofunda constantemente no conhecimento prático e no discernimento: ele abre os nossos olhos para ver o melhor que Deus tem para a nossa vida, nos capacitando a sermos puros e irrepreensíveis diante Dele.

SENTIMENTALISMO EXAGERADO

A paráfrase bíblica do The Message diz assim em Filipenses 1:9-10: “Aprenda a amar apropriadamente. Você precisa usar a cabeça e testar os seus sentimentos para que o seu amor seja sincero e inteligente, não um sentimentalismo exagerado”.

Você já cometeu o erro do “sentimentalismo exagera­do,” permitindo que as suas emoções ditassem o curso do seu namoro? Muitas pessoas fazem isso. Ao invés de agirem base­ados naquilo que sabem que é certo, os casais deixam que os seus sentimentos os conduzam.

Eu mesmo já tive a minha parcela de sentimentalismo exagerado. Enquanto estava namorando, fiz várias decisões baseadas na superficialidade e ignorância. Eu podia dizer para uma garota “eu te amo” com muita facilidade, fingindo uma afeição abnegada, mas na verdade, o egoísmo e a falta de since­ridade eram as minhas motivações. Eu estava primordialmente interessado naquilo que poderia ganhar, como a popularidade que uma namorada poderia me dar ou o conforto e prazer que eu teria fisicamente ou emocionalmente em um relacionamen­to. Eu não praticava o amor inteligente. Eu vivi o “amor estúpi­do” - escolhendo o que me fazia sentir bem ao invés do que era bom para os outros e agradava a Deus.

Para verdadeiramente amar alguém com o amor inteli­gente, nós precisamos usar a nossa mente assim como o cora­ção. Como Paulo o descreve, o amor é abundante em conheci­mento e discernimento. “Conhecer” algo é compreender ou conseguir entender com nitidez e certeza. “Discernimento” é um entendimento da verdadeira natureza de algo, a habilidade de enxergar a motivação por trás dos pensamentos e ações.

Com esta definição em mente, deixe-me fazer-lhe algu­mas perguntas. Será que o amor é a motivação de um rapaz quando dorme com uma garota quando ele sabe que isso irá marcá-la emocionalmente e estragar o relacionamento dela com Deus? Será que é a sinceridade que leva uma garota a estar com um rapaz e depois termina com ele quando acha alguém melhor? Não! Ambos os casos demonstram motivações egoístas. Eles precisam “ficar espertos” e se darem conta de como as suas ações afetam os outros.

Nos últimos anos, eu me esforço para permitir que o amor sincero e inteligente me guie, e ao fazer isso, tenho chegado a algumas conclusões bem intensas para a minha vida. Eu com­preendi que eu não tenho o direito de pedir o coração e a afeição de uma garota se eu não estiver pronto para um compro­misso por toda a vida. Até que possa fazê-lo, eu apenas estaria usando aquela mulher para atender às minhas necessidades imediatas e não procurando abençoá-la a longo prazo. Será que eu gostaria de ter uma namorada neste momento? É óbvio! Mas com o que tenho aprendido ao buscar a vontade de Deus para a minha vida, eu sei que um namoro agora não seria o melhor para mim nem para a garota com quem eu iria namorar. Desta forma, ao evitar um romance antes que Deus me diga que estou pronto para tal, eu posso ser mais útil para as garotas como um amigo, e permaneço livre para manter o foco no Senhor.

RECONHECENDO O MELHOR

Esperar até que esteja pronto para um compromisso an­tes de correr atrás de romance é apenas um exemplo do amor inteligente em ação. Quando o nosso amor cresce em conheci­mento podemos com maior facilidade “discernir o que é o melhor” para a nossa vida. Todos nós precisamos desesperadamente deste discernimento, não é mesmo?

Afinal de contas, quando entramos em um relacionamento do tipo rapaz-garota, enfrentamos algumas questões bem cinzentas. Não me entendam mal - eu acredito em absolutos. Mas no namoro, não fazemos escolhas inteligentes apenas en­tre um certo absoluto e um errado absoluto. Temos que avaliar também todas as partes do nosso namoro para assegurar que não iremos longe demais, permitindo que sejamos levados a algo que deveríamos evitar.

Por exemplo, digamos que alguém na escola pede para sair com você. Como você busca orientação sobre o tipo de pessoa com quem você poderia sair? Tente procurar a palavra “namoro” na sua concordância bíblica. Você não irá longe. Ou talvez você tenha saído algumas vezes com alguém e se beija­ram pela primeira vez. Foi emocionante. Você sente que está amando. Mas será que está certo?

Como achar as respostas para estas questões? É aqui onde entra o amor inteligente. Deus deseja que busquemos orienta­ção nas verdades das Escrituras; não nos sentimentos. O amor inteligente enxerga além dos desejos pessoais e o prazer do momento. Ele olha para o quadro maior: servir aos outros e glorificar a Deus.

“E eu?” você pode estar se perguntando: “E as minhas necessidades?” Esta é a parte mais incrível: Quando fazemos com que a glória de Deus e as necessidades das outras pessoas sejam as nossas prioridades, nos colocamos em posição de re­ceber o melhor de Deus na nossa vida. Deixe-me explicar.

No passado, o ponto de partida dos meus relacionamen­tos era o que eu queria ao invés daquilo que Deus queria. Eu via as minhas necessidades e encaixava os outros na minha agenda. Será que me senti realizado, satisfeito? Não, somente encontrei desilusão e comprometimento dos meus valores. Não apenas machuquei os outros, como também a mim mesmo e o mais grave, pequei contra Deus.

Mas quando eu mudei a minha atitude e coloquei como prioridade nos relacionamentos agradar a Deus e abençoar os outros, descobri verdadeira paz e alegria. O amor inteligente libera o melhor de Deus para a nossa vida. Quando parei de ver as garotas como namoradas em potencial e passei a tratá-las como irmãs em Cristo, descobri a riqueza da verdadeira amizade. Quando parei de me preocupar com quem iria me casar e comecei a confiar no tempo de Deus, desvendei o incrí­vel potencial de servir a Deus como solteiro. E quando parei de flertar com a tentação em um namoro e comecei a perseguir a retidão, eu desvendei a paz e o poder que são frutos da pureza. Eu disse adeus ao namoro pois descobri que Deus tem algo melhor no seu estoque.

PURO E IRREPREENSÍVEL

A vantagem final de se buscar o amor inteligente é a pu­reza e a irrepreensibilidade diante de Deus. Esta pureza vai além da pureza sexual. Mesmo que a pureza física seja muito importante, Deus também quer que busquemos a pureza e a irrepreensibilidade na nossa motivação, na nossa mente e nas nossas emoções.

Isso significa que nunca cometeremos erros? É claro que não! Nós só podemos nos colocar diante de Deus por causa da Sua graça e do sacrifício do Seu Filho, Jesus. Mas mesmo as­sim, esta graça não nos dá permissão para sermos relapsos na nossa busca de retidão. Ao invés disso, ela deve nos incitar a desejar ainda mais a pureza e a irrepreensibilidade.

Ben começou a namorar a Alyssa no seu último ano de faculdade. Durante um bom tempo, ele tinha planejado se ca­sar no verão após a sua formatura. Como ele e Alyssa estavam profundamente atraídos um pelo outro, ele pensou que ela era “a escolhida.”

Em uma carta, Ben me contou como crescera com padrões de namoro muito elevados. Alyssa era uma outra estória. Enquanto Ben nunca tinha nem beijado uma garota, para ela o beijo na praticamente um esporte. Infelizmente, os valores de Alyssa saíram vitoriosos. “Quando ela me olhou com aqueles grandes olhos castanhos como se eu estivesse privando-a de algo, eu pulei de ponta.” escreveu Ben. O relacionamento deles passou a ser basicamente físico. Eles mantiveram a virgindade, mas apenas no aspecto técnico do termo.

Alguns meses mais tarde, Alyssa começou a ter aulas de Química com um cara cristão que o Ben não conhecia. “Isto foi um erro” Ben escreveu irado. “Eles estavam estudando quí­mica - mas era a química do corpo!” Alyssa terminou com o Ben e no dia seguinte estava nos braços do seu novo namorado.

“Fiquei arrasado” disse Ben. “Eu havia quebrado meus próprios padrões, e mais importante, os padrões de Deus, e acabou não sendo a mulher com quem eu iria me casar.” Por alguns meses Ben lutou com o sentimento de culpa, mas final­mente colocou a questão aos pés da cruz e seguiu em frente, determinado a não cometer o mesmo erro novamente. Mas, e a Alyssa? Sim, Deus pode perdoá-la, também. Mas eu me pergunto se ela ao menos entendeu que precisa de perdão. Quan­do ela passa pelo Ben nos corredores da escola ou o vê na lan­chonete, o que será que passa em sua mente? Será que ela en­xerga que foi co-responsável no comprometimento da pureza dele? Será que ela sente o peso da culpa por ter machucado o coração dele? Será que ela se importa?

Eu compartilhei com você como Deus mudou a minha perspectiva sobre o namoro. Descrevi como eu decidi viver a minha vida e interagir com mulheres até que Deus me mostre que estou pronto para o casamento. Mas por que escrever um livro sobre esta perspectiva? O que levaria alguém a querer ou­vir o que eu tenho a dizer? É porque eu acho que Deus gostaria de desafiá-lo também.

Acredito que chegou a hora dos cristãos, homens e mu­lheres, reconhecerem a confusão que deixamos no rastro de nossa busca egoísta por relacionamentos de curto prazo. O na­moro pode parecer um jogo inocente, mas como eu o vejo, estamos pecando um contra o outro. Que desculpas podere­mos apresentar quando Deus nos pedir contas pelas nossas ações e atitudes nos relacionamentos? Se Deus vê um pardal caindo (Mateus 10:29), você acha que haveria alguma possibilidade d’Ele ignorar os corações quebrados e emoções feridas que cau­samos nos relacionamentos baseados em egoísmo?

Todos ao nosso redor podem estar participando do jogo do namoro. Mas no final da nossa vida não teremos de respon­der a todo mundo. Nós responderemos a Deus. Ninguém no meu grupo de jovens sabia como eu comprometia os meus va­lores nos meus relacionamentos. Eu era um líder e era conside­rado um bom rapaz. Mas Cristo diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido.”(Lc 12:2)

Os nossos relacionamentos não passarão desapercebidos de Deus. Mas aqui está a boa notícia: O Deus que vê todos os nossos pecados está também pronto para perdoar todos os nos­sos pecados se nos arrependermos e nos afastarmos deles. Ele chama isso de uma nova vida. Eu sei que Deus perdoou os pecados que cometi contra Ele e contra as namoradas que eu tive. Também sei que Ele quer que eu gaste o resto da minha vida vivendo um estilo de vida com o amor inteligente. A graça que Ele demonstrou me motiva a fazer com que pureza e irrepreensibilidade sejam a minha paixão.

Eu estou compromissado a praticar o amor inteligente e o convido a juntar-se a mim. Façamos com que a pureza e a irrepreensibilidade sejam a nossa prioridade diante do nosso onisciente Deus, que a tudo vê.

Capítulo 2 - Os sete hábitos de um namoro altamente defeituoso

RECONHECENDO AS TENDÊNCIAS NEGATIVAS DE UM NAMORO

Quando eu era menino, minha mãe me ensinou duas regras para fazer compras de frutas e legumes. Primeiro, nunca faça as compras quando estiver com fome – tudo parecerá gostoso e você gastará muito dinheiro. E segundo, certifique-se de pegar um bom carrinho de supermercado.

Eu sempre obedeço à primeira regra, mas não tenho tido muito sucesso com a Segunda. Parece que tenho uma atração por carrinhos problemáticos que fazem barulhos estranhos ou tem rodinhas que rangem dando gastura nos nervos , igual a um unha raspando no quadro-negro.

De longe o pior carrinho que você pode pegar é aquele que está desalinhado. Você já tentou lidar com um destes? Este tipo de carrinho tem uma mente própria. Você quer ir em linha reta, mas o carro quer se desviar para a esquerda e derrubar a pilha de latas de ração para gatos. (E, para o nosso desânimo e vergonha, muitas vezes ele é bem sucedido!) O cliente que escolhe um carrinho desalinhado não tem sossego. Cada mano­bra, desde virar para o corredor dos cereais até rodar ao longo da seção das carnes, se torna uma verdadeira batalha - a vonta­de do cliente contra a do carrinho.

Por que estou falando de carrinhos de supermercado quando este livro é sobre namoro? Bem, eu me lembro do meu azar com os carrinhos pois muitas vezes eu experimentei semelhantes “batalhas entre vontades” no namoro. Não estou falando dos conflitos entre eu e as garotas que namorei. Eu quero dizer que lutei com todo o processo. E baseado na minha experiência e na minha pesquisa na Palavra de Deus, con­cluí que para os cristãos o namoro é um carrinho do tipo “de­salinhado” - um conjunto de valores e atitudes que querem ir em uma direção diferente daquele que Deus tem mapeado para nós. Deixe-me explicar o porquê.

DOMÍNIO PRÓPRIO NÃO É SUFICIENTE

Uma vez ouvi um líder de jovens falar sobre amor e sexo. Ele contou uma estória de cortar o coração a respeito de Eric e Jenny, dois cristãos firmes que tinham participado ativamente no seu grupo de jovens anos antes. O namoro de Eric e Jenny começou inocentemente - sextas à noite no cinema e rodadas de mini-golf. Mas com o passar do tempo, o relacionamento físico vagarosamente começou a acelerar, e acabaram dormin­do juntos. Logo depois eles terminaram, desanimados e machucados.

O pastor que contava a estória encontrou com eles, al­guns anos mais tarde, num reencontro de ex-alunos do colégio. Jenny havia se casado e tinha um filho. Eric ainda estava soltei­ro. Mas ambos vieram a ele separadamente e expressaram trau­mas emocionais e sentimentos de culpa por causa das memó­rias do passado.

“Quando o encontro, eu me lembro de tudo tão clara­mente.” Jenny exclamou.

Eric expressou sentimentos similares. “Quando a vejo, a dor aparece novamente.” Ele contou ao seu antigo pastor. “As feridas ainda não sararam.”

Quando aquele líder terminou a sua estória, daria para ouvir até um alfinete caindo no chão. Todos ficamos esperan­do por uma solução. Nós conhecíamos a realidade da estória que ele contou. Alguns de nós havíamos cometido o mesmo erro ou visto isso acontecer na vida de amigos. Queríamos algo melhor. Queríamos que o pastor nos dissesse o que deveríamos fazer.

Mas ele não deu nenhuma opção naquela tarde. Evidentemente o pastor pensou que o único erro do casal foi o de ceder à tentação. Parecia que achava que Eric e Jenny deveri­am ter tido mais respeito um pelo outro e mais domínio próprio. Apesar deste pastor ter encorajado um resultado diferente de guardar o sexo para o casamento - ele não ofereceu uma prática diferente.

Será que esta é a resposta? Continue na mesma direção daqueles que caíram e torça para que no momento crítico você consiga manter o controle? Dar aos jovens este tipo de conse­lho é como dar um carrinho “desalinhado” e mandá-lo para ema loja repleta de louças de porcelana mais cara do mundo. Será que, apesar dos corredores apertados e das prateleiras de vidro expondo as delicadas louças, espera-se que esta pessoa passeie pela loja com um carrinho reconhecidamente incapaz de seguir o curso desejado? Acho que não.

Ainda assim é exatamente o que tentamos em muitos dos nossos relacionamentos. Vemos as tentativas frustradas ao nos­so redor, mas nos recusamos a substituir este “carrinho” cha­mado namoro. Queremos permanecer no caminho retilíneo e estreito servindo a Deus, mas mantemos uma prática que normalmente nos leva na direção errada.

NAMORO DEFEITUOSO

O namoro tem problemas conjunturais, e se continuarmos namorar conforme o sistema funciona hoje, certamente nos desviaremos criando confusão. Eric e Jenny provavelmente tinham boas intenções, mas basearam o seu relacionamento nas atitudes e padrões culturais defeituosos para o romance. Infelizmente, até na fase adulta continuam a colher as conseqüências.

Os “sete hábitos de um namoro altamente defeituoso”, listados a seguir, são algumas dos “desvios” que os namoros costumam fazer. Talvez você possa se identificar com um ou dois destes hábitos. (Eu sei que eu posso!)

1. O namoro leva à intimidade, mas não necessariamente a um compromisso.

Jamie era uma caloura no ensino médio; seu namorado, Troy, estava no último ano. Troy era tudo que a Jamie sonhou em um rapaz, e por oito meses eram inseparáveis. Mas dois meses antes do Troy partir para a faculdade, ele abruptamente anunciou que não queria mais ver a Jamie.

“Quando terminamos, foi definitivamente a coisa mais difícil que já aconteceu comigo” Jamie me contou depois. Mes­mo que fisicamente não passaram de um beijo, Jamie tinha entregado o seu coração e as suas emoções completamente ao Troy. Ele tinha aproveitado a intimidade enquanto servia às suas necessidades, mas a rejeitou quando estava pronto para seguir adiante.

Esta estória lhe parece familiar? Talvez você tenha ouvi­do algo semelhante de um amigo, ou talvez você mesmo tenha vivido isso. Como em muitos namoros, Jamie e Troy se torna­ram íntimos com pouco, ou mesmo nenhum, pensamento so­bre compromisso ou como seriam afetados quando terminas­sem. Podemos por a culpa no Troy por ter sido um canalha, mas façamos uma pergunta a nós mesmos. Qual é a idéia prin­cipal na maioria dos namoros? Geralmente o namoro estimula a intimidade pela própria intimidade - duas pessoas se aproxi­mam sem nenhuma real intenção de um compromisso de lon­go prazo.

Intimidade que se aprofunda sem a definição de um ní­vel de compromisso é nitidamente perigoso. É como escalar uma montanha com uma parceira sem saber se ela quer a res­ponsabilidade de segurar a sua corda. Quando estiverem a seiscentos metros de altura em uma encosta, você não quer conversar sobre como ela se sente “presa” por causa do relacionamento. Do mesmo modo, muitas pessoas experimentam mágoas profundas quando elas se abrem emocionalmente e fisicamente apenas para serem abandonadas por outros que declaram que não estão prontos para um “compromisso sério”.

Um relacionamento íntimo é uma experiência linda que Deus deseja que experimentemos. Mas ele fez com que a reali­zação advinda da intimidade fosse um sub-produto do amor baseado no compromisso. Você poderá dizer que a intimidade entre um homem e uma mulher é a cobertura do bolo de um relacionamento que se encaminha para o casamento. Se olhar­mos para a intimidade desta forma, então na maioria dos na­moros só tem a cobertura. Normalmente falta a eles um propó­sito ou um alvo bem definido. Na maioria dos casos, especial­mente no colégio, o namoro é de curta duração, atendendo às necessidades do momento. As pessoas namoram pois querem aproveitar os benefícios emocionais e até físicos da intimidade sem a responsabilidade de um compromisso real.

Na verdade, isso é a essência da revolução original do namoro. O namoro não existia antigamente. Como eu o vejo, o namoro é um produto da nossa cultura direcionada à diversão e totalmente descartável. Muito antes da revista Seventeen[1] (Dezessete) dar dicas sobre namoro, as pessoas faziam as coi­sas de modo muito diferente.

Na virada do século vinte, um rapaz e uma garota ape­nas se envolviam romanticamente quando planejavam se ca­sar. Se um rapaz freqüentasse a casa de uma garota, a família e os amigos deduziam que ele tinha a intenção de pedir a sua mão. Mas as variações de atitude na cultura e a chegada do automóvel trouxeram mudanças radicais. As novas “regras” permitiam às pessoas entregarem-se a todas as emoções do amor romântico sem nenhuma intenção de casamento. A es­critora Beth Bailey documentou estas mudanças em um livro cujo título, From Front Porch to Backseat (Do Alpendre ao Ban­co de Trás), diz tudo sobre a diferença na atitude da sociedade quando o namoro passou a ser a norma. Amor e romance passa­ram a ser aproveitados pelas pessoas apenas pelo seu valor de entretenimento.

Apesar de muita coisa ter mudado desde os anos 20, a ten­dência dos namoros em caminhar na direção de uma maior in­timidade sem compromisso permanece praticamente a mesma.

Para o cristão este desvio negativo está na raiz dos pro­blemas do namoro. A intimidade sem compromisso desperta desejos - emocionais e físicos - que nenhum dos dois pode sa­tisfazer se agirem corretamente. Em I Tessalonicenses 4:6 a Bíblia chama isso de “defraudar”, em outras palavras, roubar alguém ao criar expectativas mas não satisfazendo o que foi prometido. O Pr. Stephen Olford descreve defraudar como “despertando uma fome que não podemos satisfazer justamente” prometendo algo que não podemos ou não iremos cumprir.

Intimidade sem compromisso, semelhante à cobertura sem o bolo, pode ser gostoso, mas no final passamos mal.

2. O namoro tende a pular a fase da “amizade” de um relacionamento.

Jack conheceu Libby em um retiro do colégio promovido por uma igreja. Libby era uma garota amigável com uma repu­tação de levar a sério o seu relacionamento com Deus. Jack e Libby começaram a conversar durante um jogo de vôlei e pare­cia que gostaram um do outro. Jack não estava interessado em um relacionamento intenso, mas queria conhecer melhor a Libby. Dois dias depois do retiro ele ligou e convidou-a para um cinema no final-de-semana seguinte. Ela aceitou.

Será que Jack deu o passo certo? Bem, acertou no que se refere a conseguir um programa, mas se ele realmente quisesse construir uma amizade, errou feio. Um programa a dois tem a tendência de levar um rapaz e uma garota além da amizade e na direção do romance muito rapidamente.

Você já ouviu alguém preocupado a respeito de sair sozi­nho com uma amiga de longa data? Seja, provavelmente ouviu esta pessoa dizer algo assim: “Ele me pediu para sair, mas eu temo que se começarmos a namorar isso mudará a nossa ami­zade”. O que ela está realmente dizendo? Pessoas que fazem declarações como esta, estando cientes disso ou não, reconhe­cem que o “programa” estimula expectativas românticas. Em uma amizade verdadeira você não se sente pressionado saben­do que gosta da outra pessoa, ou que ela gosta de você. Você se sente livre para ser você mesmo e fazer as coisas juntos sem gastar três horas na frente do espelho, assegurando-se de que você esteja perfeita.

C.S. Lewis descreve a amizade como sendo duas pessoas andando lado a lado em direção a um objetivo comum. Os seus interesses mútuos os aproximam. Jack pulou esta fase de “coi­sas em comum” ao convidá-la para um programa típico, um jantar e depois um cinema, sem preocupações filosóficas, onde o fato de serem “um casal” era o foco principal.

No namoro, a atração romântica geralmente é a base do relacionamento. A premissa do namoro é: “Eu estou atraído por você; então vamos nos conhecer melhor”. A premissa da amizade, por outro lado, é: “Nós estamos interessados nas mesmas coisas; vamos curtir estes interesses comuns juntos”. Se após o desenvolvimento de uma amizade, a atração romântica aparece, então é um ponto a mais.

Ter intimidade sem compromisso é defraudar. Intimida­de sem amizade é superficial. Um relacionamento baseado somente na atração física e nos sentimentos românticos apenas durará enquanto durarem os sentimentos.

3. O namoro geralmente confunde relacionamento físico com amor.

Dave e Heidi não tinham planejado se envolverem fisi­camente na primeira vez que saíram juntos. De verdade. Dave não fica “só pensando nisso” e a Heidi não é “aquele tipo de garota”. Aconteceu. Eles foram a um show juntos e depois as­sistiram a um filme de vídeo na casa da Heidi. Durante o filme, Heidi fez uma gozação a respeito da tentativa dele de dançar durante o show. Ele começou a fazer cócegas nela. A luta de brincadeirinha de repente parou quando eles se viram encaran­do um ao outro nos olhos, com Dave inclinado sobre ela no chão da sala de estar. Eles se beijaram. Parecia algo de cinema, Parecia tão correto!

Pode ter parecido certo, mas a introdução precoce de uma afeição física no relacionamento acrescentou confusão. Dave e Heidi não se conheciam de verdade, mas de repente se sentiam próximos. À medida que o relacionamento progre­dia, eles achavam difícil manter a objetividade. Quando ten­tavam avaliar as qualidades do relacionamento, eles imediata­mente visualizavam a intimidade e a paixão do seu relaciona­mento físico. “É tão óbvio que nós nos amamos” pensou Heidi. Mas será que era verdade? Só porque lábios se encontraram não quer dizer que corações se uniram. E só porque dois cor­pos são atraídos um ao outro não quer dizer que as duas pes­soas foram feitas uma para a outra. O relacionamento físico não é igual a amor.

Quando consideramos que a nossa cultura como um todo entende as palavras “amor” e “sexo” como sinônimas, não de­veríamos ficar surpresos que muitos relacionamentos confun­dem atração física e intimidade sexual com verdadeiro amor. Lamentavelmente, muitos namoros cristãos refletem esta falsa noção.

Quando examinamos o progresso da maioria dos rela­cionamentos, nós podemos ver claramente como o namoro promove esta substituição. Primeiro, como já ressaltamos antes, o namoro nem sempre leva a compromissos duradou­ros por toda a vida. Por esta razão, muitos namoros come­çam com a atração física; a atitude que está por trás disso é que os valores mais importantes vem da aparência física e da maneira como o parceiro se comporta. Mesmo antes que um seja dado, o aspecto físico e sensual do relacionamento assumiu a prioridade.

Em seguida, o relacionamento normalmente caminha a passos largos na direção da intimidade. Pelo fato do namoro não requerer compromisso, as duas pessoas envolvidas permitem que as necessidades e paixões do momento ocupem o cen­tro de palco. O casal não olha um para o outro como possíveis parceiros para toda a vida e nem avaliam as responsabilidades do casamento. Ao invés disso, eles concentram nas exi­gências do momento. E com esta disposição mental, o relaci­onamento físico do casal pode facilmente se tornar o foco.

E se um rapaz e uma garota pulam o estágio da amizade no relacionamento, a lascívia frequentemente se torna o interes­se comum que atrai o casal. Como resultado, eles avaliam a seri­edade do seu relacionamento pelo nível de envolvimento físico. Duas pessoas que namoram querem sentir que são especiais uma para a outra e elas podem expressar isso concretamente através da intimidade física. Elas começam a distinguir o seu “relacio­namento especial” ao se darem as mãos, beijarem-se e o restante que se segue. Por esta razão, a maioria das pessoas acredita que sair com alguém implica em envolvimento físico.

Concentrar no físico é claramente pecaminoso. Deus exige pureza sexual. E Ele faz isso para o nosso próprio bem. Envolvi­mento físico pode distorcer a perspectiva de cada um dos namora­dos e levá-los a decisões erradas. Deus também sabe que levare­mos as memórias de nosso envolvimento físico do passado para o casamento. Ele não quer que vivamos com culpa nem remorso.

O envolvimento físico pode fazer com que duas pessoas se sintam próximas. Mas se muitas pessoas que estão namo­rando examinassem o foco do seu relacionamento, eles prova­velmente descobririam que a lascívia é o que têm em comum.

4. O namoro geralmente isola o casal de outros relacionamentos vitais.

Enquanto Garry e Jenny estavam namorando, eles não precisavam de mais ninguém. Como era para ficar com a Jenny, Garry não teve problemas em deixar de freqüentar o Estudo Bíblico de quarta à noite com a turma. Jenny nem pen­sou duas vezes sobre o fato de que mal falava com a irmã mais nova ou com a mãe agora que estava namorando o Garry. Também não se deu conta de que ao falar com eles sempre começava as suas frase com “Garry fez isso...” e “Garry disse isso e aquilo...” Sem querer, ambos tinham, egoisticamente e de forma tola, se privado de outros relacionamentos.

Pela própria definição, o namoro é basicamente duas pes­soas com o foco uma na outra. Infelizmente, na maioria dos casos o resto do mundo vira um pano de fundo esmaecido. Se você já fez o papel de “vela” ao sair com um casal de amigos que estão namorando, você sabe como isso é verdade.

De todos os problemas referentes ao namoro, este é pro­vavelmente o mais fácil de se resolver. Ainda assim os cristãos precisam levá-lo a sério. Por que? Primeiro, porque quando permitimos que um relacionamento exclua os outros, estamos perdendo a perspectiva. Em Provérbios 15:22 lemos: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos con­selheiros, há bom êxito”. Se tomamos as decisões da nossa vida baseados unicamente na influência de um relacionamento, pro­vavelmente estaremos fazendo julgamentos limitados.

É claro que cometemos este mesmo erro em muitos ou­tros relacionamentos não-românticos. Mas nos deparamos com este problema mais frequentemente no namoro, pois envolve nosso coração e emoções. E como o namoro focaliza os planos do casal, assuntos fundamentais relacionados ao casamento, família e fé estão arriscados.

E se duas pessoas não tiverem definido o seu nível de compromisso, eles estão definitivamente em risco. Você se coloca em uma posição precária ao se isolar das pessoas que o amam e o apóiam pois você mergulha de corpo e alma em um relacionamento romântico não fundamentado no compromisso. No livro Passion and Puríty (Paixão e Pureza), Elisabeth Elliot declara: “A não ser que um homem esteja preparado para pedir a uma mulher que seja a sua esposa, que direito tem de requisitar a sua atenção exclusiva? A não ser que tenha sido pedida em casamento, por que uma mulher sensível pro­meteria a qualquer homem a sua atenção exclusiva?” Quantas pessoas terminam seus namoros e encontram quebrados os seus laços de amizade com os outros.

Quando Garry e Jenny decidiram, em comum acordo, pararem de namorar, ficaram surpresos ao encontrarem os seus relacionamentos de amizade totalmente abandonados. Não que os seus amigos não gostassem dos dois; é que eles praticamente não os conheciam mais. Nenhum dos dois haviam investido tempo ou esforço na manutenção destas amizades enquanto estavam concentrados no seu namoro.

Talvez você tenha feito algo semelhante. Ou talvez co­nhece a dor e frustração de ser deixado de lado por causa de um namorado ou namorada. A atenção exclusiva normalmen­te esperada em um namoro tem a tendência de roubar dos dois a paixão pelo serviço na igreja e de isolá-los dos amigos que mais os amam, dos familiares que mais os conhecem, e, o mais triste, até de Deus, cuja vontade é, de longe, mais importante que qualquer interesse romântico.

5. O namoro, em muitos casos, tira a atenção dos jovens adultos de sua principal responsabilidade, que é de preparar-se para o futuro.

Nós não podemos viver no futuro, mas negligenciar nossas obrigações atuais nos desqualificará para as responsabilidades de amanhã. Estar distraído por causa do amor não é tão mal assim - a não ser que Deus deseja que você faça algo diferente.

Uma das tendências mais tristes do namoro é desviar os jovens adultos do desenvolvimento dos seus talentos e habili­dades dadas por Deus. Ao invés de equiparem-se com o caráter, formação acadêmica e experiência necessária para obter o sucesso na vida, muitos permitem serem consumidos pelas ne­cessidades atuais que o namoro enfatiza.

Christopher e Stephanie começaram a namorar quando ambos tinham quinze anos de idade. De um modo geral, eles tinham o namoro modelo. Eles nunca se envolveram fisicamente e quando terminaram o namoro após dois anos, o fizeram de forma amistosa. Então que mal houve? Bem, nenhum no senti­do de que não criaram problemas. Mas podemos começar a enxergar alguns problemas quando pensamos no que Christopher e Stephanie poderiam ter feito ao invés de namo­rarem. Manter um relacionamento requer muito tempo e ener­gia. Christopher e Stephanie gastaram incontáveis horas con­versando, escrevendo, pensando e muitas vezes se preocupan­do com o seu relacionamento. A energia que empregaram os privou de outras ocupações. Para Christopher, o relacionamento sugou o seu entusiasmo pelo seu hobby de programação em computadores e pelo seu envolvimento no grupo de louvor da igreja. Apesar da Stephanie não culpar o Christopher, ela rejei­tou diversas oportunidades de viagens missionárias de curto prazo pois não queria ficar longe dele. O relacionamento deles consumiu um tempo que ambos poderiam ter gasto desenvol­vendo habilidades e explorando novas oportunidades.

Namorar pode lhe dar a oportunidade de colocar em práti­ca ser um bom namorado ou uma boa namorada, mas será que são habilidades que valem a pena? Mesmo que você esteja saindo com a pessoa com quem irá se casar, a preocupação em ser a na­morada ou namorado perfeito, podem, na verdade impedi-lo de ser o futuro marido ou esposa que esta pessoa irá precisar um dia.

6. O namoro pode causar desgosto com o dom de permanecer solteiro dado por Deus

No aniversário de três anos do meu irmão, ele ganhou uma linda bicicleta azul. A miniatura de bicicleta era novíssima, completa com rodinhas auxiliares, equipamentos de proteção e adesivos. Pensei que ele não poderia desejar uma bicicleta melhor, e mal podia esperar para ver a sua reação.

Mas para o meu desgosto, meu irmão não parecia im­pressionado com o presente. Quando meu pai tirou a bicicleta da caixa de papelão, meu irmão a observou por um momento, sorriu, e então começou a brincar com a caixa. Demorou al­guns dias para que eu e a minha família o convencesse de que a bicicleta era o presente de verdade.

Não consigo evitar de achar que Deus vê a nossa paixão por relacionamentos de curta duração da mesma forma que eu enxergava o amor do meu irmão por uma caixa que não valia nada. Uma sucessão de namoros sem compromisso não é o pre­sente! Deus nos dá o “estar solteiro” - uma época de nossa vida incomparável em termos de oportunidades infinitas de cresci­mento, aprendizado e serviço - e nós vemos isso como uma chance de nos atolarmos ao tentar achar e manter um namorado ou namorada. Mas nós não encontramos a verdadeira beleza de estar solteiro na busca de romance com a maior variedade de pessoas que quisermos. Nós encontramos a verdadeira beleza em usar a nossa liberdade para servir a Deus com total entrega.

O namoro causa insatisfação pois encoraja o uso indevido desta liberdade. Deus colocou um desejo pelo casamento na maioria dos homens e mulheres. Apesar de não estarmos pecando quando ansiamos pelo casamento, podemos ser culpados de mau uso do privilégio de sermos solteiros. É quando permitimos que um desejo por algo que Deus obvia­mente ainda não nos deu, roube a nossa habilidade de aproveitar e apreciar o que ele já nos deu. O namoro contribui ao reforçar esta insatisfação pois dá a duas pessoas solteiras a intimidade suficiente para fazê-los desejarem mais. Ao invés de aproveitarem as qualidades únicas de estar solteiro, o namoro faz com que as pessoas concentrem naquilo que ainda não possuem.

7. O namoro cria um ambiente artificial para avaliar o caráter de outra pessoa.

Apesar de muitos relacionamentos não serem direcionados para o casamento, alguns - especialmente entre estudantes de faculdade mais velhos - têm o casamento como sua motiva­ção. As pessoas que querem sinceramente descobrir se deter­minada pessoa é uma boa opção para o casamento precisam entender que o namoro típico, na verdade, atrapalha este pro­cesso. O namoro cria um envolvimento artificial para duas pessoas interagirem. Conseqüentemente, cada pessoa pode facil­mente apresentar uma imagem igualmente artificial.

Na entrada da garagem de casa temos uma cesta de bas­quete que permite o ajuste em diferentes alturas. Quando regu­lo a cesta quase um metro abaixo do padrão, eu pareço ser um excelente jogador de basquete. Enterrar não é nenhum proble­ma. Eu deslizo pelo chão e faço a cesta todas as vezes. Mas a minha “habilidade” existe apenas porque eu rebaixei os padrões - eu não estou jogando no ambiente real. Me coloque em uma quadra com o aro a três metros do chão, e eu volto a ser um “homem branco que não sabe enterrar.” [2]

De modo semelhante, o namoro cria um ambiente arti­ficial que não exige que a pessoa apresente as suas característi­cas positivas e negativas. Em um namoro, a pessoa pode entrar no coração do parceiro usando atitudes cheias de charme. Ele dirige um carro legal e paga todas as despesas; ela é linda. Mas e daí? Ser um cara divertido em um passeio não diz nada sobre o seu caráter ou a sua habilidade em ser um bom marido ou esposa.

O namoro é algo divertido, em parte porque nos dá uma folga da realidade. Por esta razão, quando estiver casado eu planejo ter o hábito de namorar com a minha esposa. No ca­samento, você precisa tirar uma folga da tensão do trabalho e das crianças; você precisa “dar uma rugida” de vez em quan­do. Mas duas pessoas que estão avaliando a possibilidade de se casarem precisam ter certeza que elas interagem não apenas em situações divertidas e românticas do namoro, A sua prio­ridade não deve ser fugir da vida real; eles precisam de uma boa dose de realidade objetiva! É necessário ver o outro nas situações reais da vida com familiares e amigos. Eles preci­sam ver o outro servindo e trabalhando. Como ele interage com as pessoas que o conhecem melhor? Como ele reage quan­do as coisas não saem como planejado? Ao considerar um parceiro em potencial, precisamos encontrar respostas a estas questões - questões que o namoro não irá responder.

HÁBITOS ANTIGOS SÃO DUROS DE MATAR

Os sete hábitos de namoros altamente defeituosos reve­lam que não podemos consertar muitos dos problemas do na­moro apenas namorando corretamente. Acredito que o namo­ro tem tendências perigosas que não se afastam só porque cris­tãos estão no comando. E mesmo aqueles cristãos que evitam a maioria das armadilhas de sexo antes do casamento e términos de namoro traumáticos, geralmente gastam muita da sua energia lutando contra a tentação.

Se você já namorou, isso possivelmente soa familiar. Acho que, por um tempo maior que o devido, temos abordado os relacionamentos usando o conjunto de valores e a disposição mental do mundo. Se você já tiver experimentado antes, você provavelmente concordará comigo de que simplesmente não funciona. Não desperdicemos mais tempo lutando contra o carrinho “desalinhado” do namoro. Chegou a hora de uma nova atitude.

[1] N.T.:A revista Seventeen é direcionada ao público adolescente abordan­do temas como sexo e relacionamentos semelhante às revistas Querida, Capricho, etc.

[2] n.t. - Título de um filme sobre jogadores de basquete de rua.


 
 
 

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